segunda-feira, 11 de junho de 2012

Meu Próprio Negócio - Edição 111


Ganhe dinheiro na balada
Baixo investimento e boas oportunidades de ganho fazem da atividade de DJs uma opção atraente. Porém, se os equipamentos estão mais acessíveis e simples de manusear, a alternativa ainda exige sinergia com o público e feeling para a música






Por Thaís Pepe Paes

Da época das discotecas, nos anos 1970, para cá, a atividade de DJ ganhou tecnologia, cada vez mais acessível e simples de operar, status de artista e, apesar de ainda não ser regulamentada, está prevista na lei de Empreendedor Individual.

O vinil ainda marca a performance de muitos DJs, mas abre espaço para cds, softwares, pendrive e até vídeo, os VJs. Para dispor de uma boa carrapeta (mesa de som) não é mais necessário tantos reais. ”Hoje, com R$ 2 mil é possível iniciar o negócio”, diz o DJ Filippo, há 15 anos no mercado.

Ele é especializado em festas fechadas e toca de tudo, mas costuma puxar mais para o estilo House Music. Seu interesse pela área veio cedo, com apenas 15 anos ele arrumou um emprego para trabalhar como operador e locutor de rádio. Foi nessa época que Filippo desenvolveu o interesse pela música e aprendeu a tocar observando os DJs da equipe. Logo depois de um ano, já começou a fazer festas abertas em boates até que, aos poucos, foi sendo convidado a participar de festas fechadas do Rio de Janeiro (RJ), a maioria de debutantes.

O DJ recorda que, no início de sua carreira, foi difícil adquirir os equipamentos necessários para atuar, pois, na época, eles eram caros e bem mais difíceis de se encontrar do que hoje. Isso, sem falar que antes da internet, o acesso a novas músicas era extremamente complicado.

Filippo explica que existem dois segmentos de DJs, o de festas fechadas, que costuma também agregar serviços de som e luz, e o DJ de boates e eventos abertos ao público, que costuma tocar somente um estilo de música. No caso de eventos abertos, como boates ou festivais de música eletrônica, o DJ só precisa do repertório pois a estrutura de som e luz normalmente é contratada por fora, de outras empresas.

No ramo de festas fechadas existem também dois grandes mercados, os aniversários de 15 anos e os casamentos. Pelo fato de os casamentos serem festas familiares, é necessário ter um certo cuidado para agradar a todos. Por isso é imprescindível que aconteça uma reunião antes do evento para decidirem sobre o tipo de música que deve ser tocada. “Existem noivos que curtem sons mais puxados para música eletrônica, outros preferem músicas no estilo flashbacks, e por aí vai. Já as festas de debutante, normalmente, são voltados para a aniversariante e seus amigos, a família não costuma ser muito bem-vinda na pista. Então, deve ser tocado o que essa galera curte, que é, em geral, House, Pop, Hip-hop e até alguns funks”.

Para quem quer começar na área, Filippo estima que seja necessário um investimento de R$ 2 mil somente para tocar, sem agregar outros serviços. Já se o iniciante quiser montar uma estrutura de som e luz básica, o investimento vai ficar em torno de R$ 5 mil a R$ 10 mil.

Quando questionado sobre as facilidades que o avanço da tecnologia trouxe para a profissão, ele afirma: “Antigamente eu levava pastas e mais pastas de CDs. Hoje em dia eu faço uma festa inteira utilizando apenas dois pendrives. Meu repertório vai no meu bolso. Já na iluminação, a mudança está na possibilidade infinitamente maior de movimentos, cenas, efeitos e na evolução dos lasers. Além disso, grande parte dos equipamentos está sendo substituída por tecnologia leds, que gera uma luz mais bonita consumindo, em média, 75% menos energia”.

Segundo o DJ, qualquer pessoa pode exercer a atividade, mas, para ser um bom profissional é necessário feeling. “Ser DJ não é somente ter equipamentos e músicas, tem que ter o talento para fazer as mixagens e, principalmente, o feeling para ‘entrar na cabeça das pessoas’ e descobrir o que elas querem ouvir. Além de saber administrar as músicas ao longo da noite de forma que a pista não pare”.

Atualmente, ele faz em média seis festas por mês e os valores de cada uma são cobrados de acordo com o local do evento e o número de convidados. Por exemplo, uma festa de 200 a 600 convidados pode custar de R$ 6 mil a R$ 17 mil, variando de acordo com a estrutura contratada. “Não existe uma tabela, monto um projeto personalizado para aquele evento calculando sistema de som, iluminação, plasmas, etc. Mas também trabalho com pacote básico para aniversários em residência, que fica em torno de R$ 2,5 mil”. O pagamento é feito sempre com sinal de 50% para a reserva da data.

Além de atuar como DJ, Filippo está abrindo uma produtora de foto e vídeo com uma proposta mais moderna para as festas. A ideia surgiu quando ele começou a pesquisar produtores para fazerem os chamados pocket-videos (que são vídeos com os melhores momentos da festa) e pediu também para que seus clientes enviassem para ele os DVDs de suas festas. Para sua surpresa, não gostou da maioria dos que viu. “Eles não passavam a real impressão de como o evento foi bom. Tinham edições fracas, cortes mal feitos, efeitos cafonas e por aí vai. Foi quando percebi que dava para fazer melhor. Muitos profissionais que estão nesse mercado há décadas pararam no tempo no que diz respeito à edição de vídeo. Então, pensei em além de fazer os pocket-vídeos, investir no serviço completo com entrega em DVD ou Blu-Ray

Identidade musical como diferencial

Figura conhecida no meio artístico, o DJ Matheus Puertas está há oito anos no mercado. Especializado no estilo MPB, ele atua principalmente no Rio de Janeiro (RJ), mas já atendeu diversas cidades como Brasília (DF), Porto Alegre (RS), São Paulo (SP), entre outras. Ele foca um público bem específico e costuma mesclar diferentes músicas mas sem se focar nos mega sucessos e músicas muito populares. Puertas trabalha em geral com festas abertas e quando recebe convite para fazer festa com um público muito diferente do seu segmento, como festas de debutante ou casamentos, prefere declinar para não comprometer a qualidade do trabalho.

Puertas começou a se interessar pela área quando criança, cresceu em um ambiente musical e gostava de divertir as pessoas. Com 15 anos, nas festas familiares já ficava analisando como poderia animar os convidados. “Nessa época eu ainda não tinha equipamentos, então eu pegava todos os aparelhos de som que tinha na minha casa, colocava um do lado do outro e ia colocando as músicas em cada rádio na sequência”.

Com 19 anos, ele começou a estagiar na rádio MPB FM e a aproximação com esse tipo de música e com o trabalho dos DJs da rádio, fizeram com que se interessasse ainda mais pela área. Aos poucos, foi observando e aprendendo, mas, somente em 2011, acabou investindo em um curso de aperfeiçoamento.

Seus primeiros clientes vieram da própria emissora onde trabalhava. Depois, já com mais experiência, começou a fazer festa para os amigos. Para ele, a melhor forma de divulgação é boca a boca. “Uma pessoa faz uma festa, gosta e indica para outra e assim vai. Tudo atrelado a rede de amigos, sendo que uma festa vai puxando a outra. Normalmente, pessoas que curtem determinado tipo de música frequentam ambientes e conhecem pessoas com os mesmo gostos. Isso facilita a divulgação”.

Puertas conta que o principal desafio enfrentado no início da carreira de um DJ é o de se manter somente com os cachês. No começo, o iniciante ainda não é conhecido e muitas vezes não consegue trabalho em todos os fins de semana. Por isso, alguns optam por ter outra atividade durante o dia. Hoje, mesmo depois de oito anos, o DJ faz dupla jornada. Além de trabalhar na noite, ele ainda é produtor do centro cultural Baukurs Cultura e afirma que esse segundo emprego o ajuda a fortalecer a atividade de DJ por estar constantemente em contato com o meio cultural.

Ele conta que o segredo para mandar bem em uma festa consiste em saber quem está na plateia e o tempo certo de tocar cada música. “Um bom DJ não pode soltar um grande hit à meia noite, ele deve esperar para tocar ele lá pelas 3h30 da amanhã. Ele tem que saber qual é o momento certo para cada tipo de música. E o DJ também tem que interagir com a galera e ser alegre. Se for uma pessoa que fica só apertando os botões, ele vira um Ipod humano e não é esse o objetivo”. Puertas acredita que para encontrar o tipo de música certa para agitar a galera é necessário analisar o perfil do público de cada festa para acertar no repertório. Por exemplo, avaliar a forma como dançam, como se vestem, faixa etária, entre outros pontos. “Eu mesmo às vezes desço na pista para ver o que está rolando, sentir como está o público e acertar na próxima música”.

Outro ponto colocado por Puertas é o preconceito com relação à profissão. “Algumas pessoas acham que ser DJ é só lazer. É só ir para as festas, beber e curtir. Há quem enxergue a atividade como uma área que não dá dinheiro e que não é profissional. Mas não é assim. É claro que é um trabalho mais descontraído, mas nem por isso deixa de ser trabalho, e com as mesmas responsabilidades do que qualquer outro”.

Segundo ele, a principal dica para quem está começando é consumir muita música diariamente, isso ajuda a compor um repertório legal, e desenvolver um estilo próprio de identidade musical. “Hoje, você tem que ser específico e atingir um determinado segmento, do contrário, não tem mercado. A concorrência é grande e atualmente com dois pendrives se faz uma festa”.

O DJ ainda recomenda evitar excessos para conseguir trocar o dia pela noite, como beber somente no fim da festa e minimizar o tempo que fica na noite. “Antigamente um mesmo DJ abria e fechava a casa, então ele ficava a festa toda e só saia quando todos os convidados já tinham ido embora. Hoje, os DJs tem hora certa para começar e terminar o evento, então, é aconselhável chegar uma meia hora antes e não demorar muito para ir embora para poder aguentar firme nas outras noites”.

Tecnologia a favor dos DJs

Com quase 20 anos de carreira, o DJ carioca Duda Santos é outro que aposta na House Music e suas vertentes, misturando electro, progressive house, tribal e tech house na busca do melhor som para elevar a vibe de qualquer pista ao máximo.

Logo no começo da carreira, Santos não encarava a profissão da mesma forma como encara hoje, só ao longo do tempo que decidiu ser DJ profissional. Na época em que entrou para o mercado, o único formato de mídia usado eram os discos em vinil, que na grande maioria das vezes eram importados. “Até hoje os melhores equipamentos para a atividade são importados e caros, mas a tecnologia trouxe facilidades e fez a atividade deixar de ser completamente artesanal. Com um laptop e uma placa de som já é possível começar a se aventurar”.

Segundo Santos, alguns profissionais defendem que a tecnologia banalizou a profissão, pois já não se precisa da enorme quantidade de horas de treino com vinil, que eram bem difíceis de manusear, para atuar como DJ.  “Isso abriu espaço para alguns ‘fake djs’, ou gente sem o menor talento, que só consegue trabalhar com a ajuda dos softwares. Eu ainda acredito que, mesmo com todo o recurso tecnológico, é com talento que se supera a concorrência”.

Outra mudança que a tecnologia trouxe foi o fomento do boca a boca. “Com o advento da internet a divulgação se tornou muito mais fácil. Hoje você publica na web um set, sequência de músicas de sua escolha, e começa o marketing viral. Um amigo gosta e manda para outro, que posta no facebook, que comenta no twitter e a coisa segue seu caminho. Para os que querem mesmo entrar no mercado é importante saber que o marketing pessoal é imprescindível para o sucesso na carreira de DJ”.

Assim como Puertas, Santos também reconhece que a atividade enfrenta preconceito e diz que ainda escuta frases como: “Você é DJ? Que legal. E trabalha com o que?. A maioria das pessoas não tem ideia da quantidade de horas de treino, pesquisa musical, organização de repertório e tantas outras demandas são necessárias ser dominadas por um profissional da área”. Para ele a apresentação em si é apenas 20% do trabalho, muita coisa acontece antes de subir no palco e tocar as músicas. Mas como a atividade envolve músicas e festas, existe a falsa ideia de que não é trabalho, é só divertimento.

Para assegurar sua performance, Santos investiu em vários cursos ao longo de sua carreira, que foram essenciais para se tornasse um DJ profissional e sugere para os iniciantes que pensam em atuar no circuito de boates, se qualificar para manusear os tipos de equipamentos que essas casas oferecem. Nesse ponto os cursos podem ajudar muito”. Ele também recomenda que o profissional esteja sempre atualizado. “O upgrade é necessário hoje em dia, pois sempre surgem novos equipamentos e é preciso acompanhar a evolução”.

Quando questionado sobre a situação do mercado da música ele afirma: “Alguns profissionais diriam que está ficando saturado, pois de um tempo pra cá todos resolveram se tornar DJs, de colegiais a ex-BBBs. Mas eu acredito que só quem tem talento e amor à profissão sobrevive nesse mercado”.

Colaboraram:
DJ Filippo, (21) 2226-3021, www.filippodj.com.br; DJ Matheus Puertas, (21) 7675-7307, facebook: Matheus Puertas e DJ Duda Santos, http://djdudasantos.blogspot.com.

Revista Meu Próprio Negócio - Edição 111 - Pág. 60
Maio / 2012

Notícia 11

Controle de finanças por crianças
Matéria de TV
Pesquisas revelam que os jovens brasileiros estão cada vez mais endividados. Confira o que os pais podem fazer para orientar os filhos a terem controle sobre suas finanças
http://www.youtube.com/watch?v=1JwCuP3jWik&feature=youtu.be
* Essa matéria foi produzida para a Universidade Metodista de São Paulo
Maio/2012

Notícia 10

Leitura
Matéria de TV
Dados do Instituto Pró-livro revelam que 75% dos brasileiros jamais entrou em uma biblioteca
https://www.youtube.com/watch?v=9NLYazPdkhc&feature=plcp
* Essa matéria foi produzida para a Universidade Metodista de São Paulo
Maio/2012

Notícia 9

Matéria de Rádio produzida para a Universidade Metodista de São Paulo
Atestados médicos podem ser emitidos digitalmente para inibir falsificações




https://www.youtube.com/watch?v=TYQ_rV53Cww&feature=plcp
Abril/2012

Meu Próprio Negócio - Edição 110


Chapéu: Gestão – Estratégia

Caminho inverso

Negócios nascem no mundo virtual e agora investem também no ambiente físico




Por Thaís Paes


Diante da crescente tendência do consumidor em aderir à comodidade das compras on-line e da possibilidade de atender clientes nas mais diversas regiões do País com um único endereço – na web –, nos últimos anos, passou a ser comum, muitos empreendedores iniciarem seus negócios próprios com operação exclusiva no meio virtual. Essa opção acabou lhes permitindo o atendimento a uma demanda maior de clientes e a possibilidade de conhecer bem o perfil do público consumidor.  Agora, com seus negócios consolidados na internet, uma gestão mais madura, a experiência prática no segmento eleito e um bom conhecimento de seus clientes em potencial, muitos deles estão se dispondo a investir em pontos comerciais fixos, visando o fortalecimento da marca e a expansão de seu negócio. 

Entretanto, a iniciativa impõe novos desafios e adaptações ao negócio. Foi o que descobriu Tomás Dreyfuss, sócio diretor da Mundo Corrida, loja virtual especializada na venda tênis, vestuário, acessórios e outros artigos esportivos. Ele conta que ingressou nesse universo pois a empresa já trabalhava com revistas e portais esportivos, atuavam no mercado de feiras esportivas e de formação de profissionais do esporte e promoviam eventos ligados a corrida de rua, ciclismo, natação, triathlon e fitness. Com a atividade, Dreyfuss atestou o quanto o nicho poderia ser promissor e decidiu se valer dos conhecimentos, contatos e clientes na área, já conquistado por sua marca, para ingressar no varejo on-line. Assim, em fevereiro de 2010, ele colocou no ar a loja virtual Mundo Corrida.

Dreyfuss conta que investiu muito pouco para abrir o e-commerce. Foram somente R$ 5 mil para utilizar a plataforma e contratar a empresa que customizou o site, processo que durou dois meses.
Com o sucesso das vendas pelo site de produtos como tênis, vestuário e acessórios esportivos, a meta passou a ser mais ambiciosa: proporcionar ao consumidor uma experiência mais completa na hora da compra. Para isso, havia a necessidade de expandir a marca abrindo lojas físicas.

Com investimentos da própria empresa, a Mundo Corrida ganhou duas lojas de uma única vez, uma em São Paulo (SP) e outra no Rio de Janeiro (RJ). Dreyfuss explica que toda essa operação surgiu com investimento próprio, sem empréstimos pois a empresa tem receio de se endividar para crescer. Atualmente, além do comércio eletrônico e dessas duas unidade, a Mundo Corrida possui mais duas lojas físicas localizadas em grandes centros comerciais: Belo Horizonte (MG) e Brasília (DF).

Segundo Dreyfuss, apesar do investimento inicial da on-line ter sido bem inferior ao da física, a longo prazo, para se manter as duas, a virtual acaba sendo mais custosa. “Muita gente acha que para se ter uma loja on-line só é preciso ter um computador em casa. Entretanto, isso não é verdade, é necessário desenvolver um sistema de controle de qualidade, além de muitos cuidados com a armazenagem e a logística. Não é tão simples”.

Os principais desafios enfrentados no início da loja on-line foram o atendimento ao cliente e o processo de logística. “Você tem que se preocupar em fazer o produto chegar na casa do cliente no menor tempo possível”. Já nas lojas físicas uma das partes mais complexas é a escolha do ponto comercial – um processo demorado, que exige muita pesquisa. “Pelo fato da sede da empresa ser de São Paulo, esse foi o ponto comercial mais fácil de escolher, pois tínhamos uma ideia mais clara de locais movimentados. Porém, nas outras capitais, essa escolha foi mais complicada e exigiu mais pesquisas. Chegamos até a passar longos períodos em cafés próximos aos pontos eleitos para confirmar se realmente o local era promissor para receber a loja”, lembra.

Vantagens da loja física

O empresário explica que no caso dos tênis comercializados pela marca, muitos consumidores tinham a necessidade de ver e experimentar antes de comprar, assim como ter um contato com os vendedores, para tirar dúvidas sobre os benefícios do item. “Alguns de nossos produtos não são baratos. Para um tênis de R$ 500, por exemplo, é natural o consumidor ter a necessidade de uma avaliação mais criteriosa antes de ter certeza da compra”, diz.

Para ele, a cronologia das iniciativas fez com que um comércio impulsionasse o outro. “Conforme as lojas físicas foram sendo abertas, passamos a ter mais vendas on-line vindas de cada uma das regiões”. O fato de o cliente passar a ter a oportunidade de poder pegar o tênis que quer comprar ou a peça de vestuário ajudou muito nas vendas. Tanto que esses dois itens eram os mais difíceis de vender pela internet. Depois da abertura das lojas físicas, muitos clientes passaram a acessar a loja virtual já sabendo o que querem comprar, conhecendo a marca pela loja ou por recomendação de algum amigo. Agora, o consumidor não fica mais pesquisando tanto, ele já sabe o que vai comprar.

Para atender a essas expectativas, a Mundo Corrida implantou um diferencial importante: seus vendedores são todos profissionais de educação física, assegurando um atendimento especial para o cliente. Com isso, a empresa garantiu um ticket médio maior para as vendas off-line.

Na avaliação de Dreyfuss, o fato da empresa ter ingressado no varejo primeiro com uma loja virtual, permitiu a construção da marca com rapidez e a evidência do nome no segmento acabou facilitando as operações da loja física. “Com essa experiência pudemos ter uma ideia do mix de produtos que mais saíam e ticket médio, por exemplo, assim como ter uma visão mais ampla sobre o nosso púbico. Pudemos determinar o perfil geral dos clientes, faixa etária, marca que eles mais compram, perfil de navegação, uma infinidade de informações importantes, que foram fundamentais para o sucesso das lojas físicas”.

Para incrementar a divulgação da loja virtual, o empresário utilizou, principalmente, as mídias digitais, a exemplo de banners em portais relacionados a corrida, mas também marcou presença com anúncios em veículos especializados na área. Já para promover as lojas físicas, a principal estratégia de marketing foi patrocinar eventos e corridas de rua. Nessas ocasiões eram distribuídos kits aos participantes para serem retirados nas lojas. Ou então distribuíam cupons de descontos e promoções especiais, incentivando os presentes a conhecerem a loja e adquirir algum de seus produtos.

Segundo Dreyfuss, existem estatísticas que mostram que o número de usuários brasileiros da internet que consomem de forma on-line ainda é pequeno se comparado a outros países. O que ainda dificulta esse crescimento é a desconfiança dos consumidores para fornecer dados do cartão de crédito na web, além de dúvidas quanto ao prazo e recebimento das mercadorias. Isso sem falar que existem diversos problemas de fraudes no país. Porém, o empresário diz que o mercado vem amadurecendo cada vez mais nesses pontos. Tanto é que, aproximadamente após um ano da abertura da loja virtual o investimento foi recuperado.

Quanto às expectativas do negócio, de início, a estimativa é que haja um crescimento de pelo menos 23%, mas, com o tempo, o aumento deve ser muito mais acelerado e agressivo. “Com o advento da internet, esse mundo do varejo vem crescendo muito rápido. Se não é você que cresce, será seu concorrente”, sentencia.

De loja virtual a franquia

Outro endereço virtual que ganhou ponto comercial físico e agora já estuda a possibilidade de formatar o negócio no sistema de franquia é a Meu Amigo Pet, uma loja virtual criada em 2005, que acabou tornando-se referência no setor de vendas de produtos para animais.

A Meu Amigo Pet nasceu para atender um mercado que, apesar de gigante, era bastante desorganizado. Esse cenário facilitou o crescimento da marca e, com isso, veio a necessidade que abrir uma loja física, atendendo a pedidos dos próprios clientes e certos de que a inauguração de um ponto comercial seria muito positivo para a credibilidade da marca. A vantagem de ter começado como e-commerce é que, por essa plataforma, é possível pesquisar mais sobre o seu público, saber como ele chegou até o site, quando foi a última vez que comprou, a idade de cada um e montar uma métrica para fazer esse tipo de análise.

Segundo Daniel Nepomuceno, CEO da empresa, entre as principais iniciativas para fomentar as vendas on-line estão: a descrição do produto, a avaliação de outros consumidores e o fato de a loja possuir, ou não, loja física, o que aumenta, e muito, a credibilidade da marca.

Em dezembro de 2011, a empresa decidiu abrir uma pet shop no Shopping Eldorado, em São Paulo (SP) e apostar que a proximidade com os clientes poderia ser uma iniciativa promissora para o negócio. “Deu certo”, informa Daniel Nepomuceno, CEO da empresa, adiantando que, além do projeto de franquia, a marca pretende abrir outras lojas físicas.

Nepomuceno conta que o investimento inicial para a abertura da loja física foi de R$ 500 mil e no mesmo período mais R$ 2 milhões foram aplicados para expandir e melhorar o e-commerce, de forma continuar operando mesmo durante os três meses que exigiu todo o processo. Agora, tendo os dois canais de venda, a meta é dobrar de tamanho.

Diferente da experiência da Mundo Corrida, no caso da Meu Amigo Pet, considerando que o volume investido visava manter dois diferentes canais de venda, Nepomuceno avalia que os custos da loja física são menores, se comparada à on-line. Ela se paga muito mais rápido e o próprio fluxo do shopping a alimenta. Já na on-line é necessário estar sempre investindo em comunicação.

O principal desafio enfrentado para a abertura da loja virtual foi fazer com que os consumidores se habituassem às compras on-line, pois muita gente ainda não conhece essa facilidade ou não tem o hábito de comprar direto pela internet.

Na opinião de Nepomuceno, o público da loja on-line é o mesmo que o da loja física, sendo que a maioria dos consumidores atuais é multicanal – compram tanto pela internet quanto pessoalmente. Porém, dificilmente a loja virtual vai substituir a necessidade de ter o contato com o produto que a física oferece.

Para a escolha do ponto comercial, a empresa visitou diversos lugares que poderiam ser interessantes, mas, acabaram optando por adquirir um pet shop que já existia e reformá-lo. A vantagem foi que já havia um público que sabia da existência de um pet naquele local o que facilitou mantê-los como clientes.

Se a loja no shopping dispensou a necessidade de grandes gastos com divulgação, a on-line exigiu em dobro. Para promover o e-commerce, a marca apostou em veicular banners e anúncios em mídias digitais, após pesquisar quais seriam os principais sites procurados pelos consumidores.

Mercado previamente testado

Fundada em 2006, a ShopFisio é uma empresa especializada em vender pela internet equipamentos ortopédicos e produtos para estética. A definição desse modelo de negócio levou em consideração o menor investimento inicial, especialmente com relação aos custos fixos, e a maior abrangência geográfica que a loja virtual oferece. Além da oportunidade de entrar em um mercado novo.

Segundo Luiz Felipe Veronez, gerente de marketing, na época, foram investidos aproximadamente R$ 50 mil para colocar o site no ar. “O lançamento demorou seis meses mas não foi um processo complicado, diz o gerente. Na época, era mais fácil abrir uma loja virtual por ser um mercado novo, ainda em fase de amadurecimento.“Hoje, é mais difícil. O mercado tem mais regulamentações e regras para o negócio junto com órgãos competentes”, avalia Veronez.

Porém o negócio prosperou e, há dois anos, com seu amadurecimento, a estratégia foi abrir também um balcão de vendas diretas ao consumidor. O fato de terem começado com a loja on-line trouxe diversos benefícios para a ShopFisio. Primeiro permitiu que atingissem uma abrangência territorial maior, dispusessem de opções de publicidade e propaganda mais barata e eficiente e obtivessem maior conhecimento sobre o público-alvo e a aceitação dos produtos no mercado. “Na loja on-line fica mais fácil 'testar' o seu mercado. A começar pela simplicidade para se alterar a vitrine on-line, que não exige custo e dá muito menos trabalho do que uma loja física.”

Quanto ao marketing digital ser usado também para promover as lojas físicas, o gerente assegura que as mesmas ações de e-mails marketing, banner em sites, parcerias e um trabalho por mídias off-line funcionam bem tanto para as vendas virtuais quanto reais.

Para Veronez, à medida que a empresa vai crescendo é interessante que sejam desenvolvidos novos canais de vendas. Atualmente, 60% dos equipamentos são vendidos diretamente na on-line. Porém, o fato de possuírem essas vendas virtuais tem uma influência direta nas compras off-lines.

O principal desafio enfrentado para abrir o comércio eletrônico foi primeiro a escolha de um bom sistema para suportar as operações comerciais com prazos e estruturas e, depois, assegurar credibilidade à marca. Já na física, é atingir um público maior, tarefa mais simples para a loja on-line. Em compensação, no universo virtual o cliente é mais exigente. Para começar, geralmente ele conhece melhor o que está comprando, procura preço atraente, muita qualidade, fretes econômicos e entrega rápida. Outro ponto que dificulta a operação on-line é o fato dela trabalhar com portfólio bem maior de produtos.


Colaboraram:
Mundo Corrida -  www.mundocorrida.com.br – Tel: (11) 3052-2613
Meu Amigo Pet -  www.meuamigopet.com.br – Tel: (11) 3277-2841
ShopFisio - www.shopfisio.com.br – Tel:(19) 3361-6000

Revista Meu Próprio Negócio - Edição 110 - Pág. 38
Abril / 2012

Trabalho de Assessoria de Imprensa

Publicação de release de produto da Buddy Toys na revista Negócios Pet
Edição 85 - Janeiro 2012